Meu nome é Hitallo Arrais. Sou meliponicultor e, antes de ser comerciante de mel, sou um homem do campo, das abelhas e da terra.
No interior do Piauí, em Altos, minha família cultiva há gerações uma vasta plantação de caju. Entre os cajueiros, vivem nossas abelhas nativas sem ferrão. Elas fazem parte daquele lugar há muito tempo, polinizando as flores e ajudando a manter vivo o ciclo da natureza.
Foi ali que começou essa história.
Por muitos anos, o mel era produzido principalmente para quem já conhecia o nosso trabalho. Pessoas viajavam de outros estados até nós para comprar toda a produção.
Até que começamos a participar de eventos como a EXPAPI e a EXPOECE.
Foi nesses encontros que percebemos algo especial: as pessoas não estavam apenas comprando mel. Elas queriam conhecer aquele sabor diferente, conhecer as abelhas, saber de onde vinha e entender por que aquele mel era tão diferente dos méis convencionais.
A apreciação pelo nosso trabalho nos mostrou que havia algo ali que merecia chegar mais longe.
E assim começamos a produzir e envasar nossos próprios méis.
Há cerca de dez anos, começamos a comercializar nossa produção de forma mais ampla.
Há aproximadamente oito anos, passamos a apresentar nossos próprios méis já envasados em garrafas e potes, levando conosco não apenas o produto, mas também a história e a origem de cada colmeia.
Desde então, continuamos crescendo sem abrir mão daquilo que nos trouxe até aqui: cuidado, qualidade e respeito às abelhas.
Hoje, depois de anos de experiência, podemos levar essas preciosidades do Sertão para pessoas de todo o Brasil.
Entre as abelhas que criamos estão a Jandaíra e a Uruçu-Amarela, espécies nativas do Sertão piauiense.
Cada uma produz um mel com características próprias, influenciadas pela flora, pelo clima e pelo ambiente onde vivem.
Não tentamos transformar esses méis em algo que eles não são.
Nosso trabalho é justamente o contrário:
preservar aquilo que a natureza já criou.
Por isso, cada garrafa carrega um pouco do lugar onde nasceu. Carrega o sertão, os cajueiros, as flores, as abelhas e o tempo necessário para que tudo aconteça.
Por trás da Casa do Mel existe, essencialmente, uma pessoa.
Eu mesmo faço o manejo das colmeias, acompanho as abelhas, realizo a extração, cuido do envase e atendo diretamente nossos clientes.
Costumo brincar que sou “o exército de um homem só”.
Mas existe uma razão para ser assim.
Nosso mel é raro e nossa produção é naturalmente pequena. Não temos interesse em transformar uma produção artesanal em uma indústria de grande escala.
Preferimos manter o controle sobre cada etapa.
Assim consigo conhecer aquilo que estou entregando e, principalmente, manter uma relação direta com quem escolhe levar nosso mel para casa.
Sem grandes automatizações. Sem atravessadores. Sem produção em massa.
Apenas o trabalho de quem conhece suas abelhas e sabe de onde vem aquilo que coloca dentro de cada garrafa.
Hoje, a Casa do Mel existe para aproximar pessoas de um produto que nasceu de uma relação antiga entre homem, abelha e natureza.
Quando você recebe um de nossos méis, recebe muito mais do que um alimento.
Recebe um pedaço do Sertão do Piauí.
Recebe o resultado de anos de manejo, experiência e cuidado.
E recebe algo que não pode ser produzido em qualquer lugar, em qualquer quantidade ou de qualquer maneira.
Porque algumas coisas na natureza simplesmente não podem ser apressadas.
Uma abelha precisa do seu tempo.
A flor precisa do seu tempo.
O mel precisa do seu tempo.
E nós aprendemos a respeitar esse tempo.
Casa do Mel — diretamente do Sertão piauiense para você.